
Talvez eu seja uma simples mulher
Entre pontes erguidas e muros de concreto
Questionadora de amores e egoísmos
Carências e plenitudes...
Talvez eu ainda esteja me aprumando
Buscando um equilíbrio entre minhas palavras
E ações muitas vezes descabidas
E desprovidas de integridade e bom senso...
E quem sabe hoje eu já esteja pronta
Seja para encontrar o que há muito perdi
Ou quem sabe adornar as páginas das redes sociais
E viver num mundo de aparências onde tudo é belo
Perfeito, ilustre e feliz.
Mas sei o que quero...
Apenas minha própria vida e delimitações
Metas e trajetos
Que com esmero os cubro de brilho
Intencionais e precisos
E sendo assim os dias se tornam eficazes
Desafiadores
E íntegros...
Mas como fruto que amadurece e da árvore cai
Alguém o toma ou apodrece em solo fofo
Assim eu em nada e ansiosa espero
Acontecimentos, conforto
Alguém ou algo que me tome
Impulsione-me a re-acreditar...
Pode ser poesia, pode ser solidão
Meu próprio chão
Pode ser eu em mim mesma
Talvez seja Deus e Seu perdão...
E pode ser meu amor
Alguém que exista de fato e saiba
Que o meu melhor argumento é a defesa
E sendo assim se compadeça
E seja corajoso e fiel a si mesmo
E também aos seus sentimentos
Ainda que eu não o seja,
Porque não aprendi a amar...
Muitas coisas ensinei, já me apaixonei
Tantas outras aprendi, me acostumei
A viver em meio à dilemas sobre idílios
Tão freqüentes em poetas
Que discursam e discutem o amor
Mas tão ausentes em mim...
E como é triste esta chaga que invade o peito
Dilacera a alma
Traz sofrimento
Em buscar o que de fato nem eu sei se existe
É como percorrer trilhas e veredas
De um caminho distante, sem alamedas
Sem atalhos, sem descanso
Em meio a deserto de alma que seca
E esturricada deseja por oásis
Mas que só vê miragens...