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No mundo

março 19, 2011

Projeto Inverno Azul-Entrevista


Uma entrevista concedida à Adriana Alonso-amiga e colaboradora


Como se desenvolve em você a habilidade em escrever, criar? Você vê como um dom?

R: Às vezes e porque as pessoas falam. Mas acho que toda virtude desenvolvida e trabalhada seguem pelo caminho da prática e aliadas ao dom e amor que você tem pelo que faz acaba sendo de certa forma reconhecida e visualizada, o que te traz mais segurança e menos medo em expor e passar para o papel(ou tela) cada vez mais e mais. Acho que escrever é um ato poético, ainda que necessariamente você não escreva poesia.

Quanto à inspiração, ela existe, é real e o sopro inicial. Pode ser também desenvolvida e eu tenho algumas pequenas técnicas. Não leio tanto assim, mas gosto de palavras, expressões e frases. Temas também são uma constante. Se leio algo que me chama a atenção, anoto alguma palavra-chave ou nem anoto nada, mas aquilo fica na minha cabeça.

O que hoje te inspira e o que não te alimenta?

R: 80% das minhas inspirações estão pautadas em relacionamentos sentimentais ,autoconhecimento, pensamentos e teses próprias,convicções e percepções de tudo o que me rodeia. Gosto muito e certamente é infinito o meu bem estar e minha alegria em escrever sobre a cogniscibilidade de Deus, independente de religiões. Não a Teologia por si só, mas gosto de escrever sobre meu relacionamento com Deus e suas vertentes.

Como as pessoas lidam com amor e egoísmo também são temas constantes que gosto de abordar. Quanto ao que não gosto, bem, não diria que não gosto e sim que não tenho habilidade, mas até que gostaria de desenvolver isso. Adoraria escrever mais sobre sociedade, temas atuais, como cultura de sustentabilidade (acho importante) e natureza ameaçada, essas coisas. Acho lindo quem tem o dom de escrever infantis (definitivamente não é minha praia) e o que não gosto mesmo é de escrever sobre morbidez da alma, negativismo(ainda que muitos escritores tenham essa característica e seja visto até como belo). Confesso que tentei algumas vezes, mas não me sinto à vontade, pois sou uma pessoa muito esperançosa em todos os aspectos.

Mas você tem textos assim também...

R: Tenho sim e não gosto muito. Tenho vontade de apagá-los às vezes, mas como um amigo certa vez me disse...”São sentimentos que fluíram, vividos no momento em que escrevi e em circunstâncias diferentes”.

E quanto ao que você acha dos seus textos?

R: Bom, eu não tenho uma métrica certinha. Até tenho alguns rondeis, indrisos e sonetos, assim como vários poetrix . Adoro acrósticos, mas a maioria dos meus textos tem uma linha melódica própria de mim, apenas procuro dar uma certa coerência, rimas, cadência, essas coisas. Acho que tenho muitas prosas poéticas. Quanto ao que acho...bom. Não é mentira, mas a maioria gosto, mas sei que tenho muita coisa ruim também...rsrs Diria textos trashs mesmo. Textos óbvios demais, textos fracos. Mas enfim, como disse anteriormente, é algo que está sempre em desenvolvimento e não me envergonho.

Cite alguns:

R: Alguns da minha fase em que assumi um alter-ego chamado Belisama, por exemplo. Humor, pois sou fraca nisso...rsrs e eróticos. Acho-me meio ridícula escrevendo eróticos, porque primeiro que não gosto muito por motivos pessoais, acho que as pessoas confundem muito o que você é com o que você escreve. Segundo porque não sei. Tenho alguns bem sutis, mas que sempre acho que estão muito “pornográficos”. Talvez seja fruto de anos dentro da igreja lecionando, louvando e aprendendo doutrinas cristãs. Não sei, mas não me sinto muito à vontade.

Fale um pouco sobre a sua vida e postura religiosa. Isso é interessante, porque você mescla muito Teologia com comportamento, amor, egoísmo, paixão e novamente Deus...Como é isso?

R: Minha postura religiosa hoje é de alguém que vive a vida normalmente e que tem aprendido a não ser tão carente de pessoas, relacionamentos e amores(como já fui), mas sempre muito dependente de Deus e de sua graça. Apesar de não estar congregando sou cristã católica até os 27 e de lá para cá protestante e hoje presbiteriana. Estudei Teologia, vivi intensamente uma vida religiosa, mas hoje entendo que ser cristã é ser livre e as amarras que me sustinham já não me impedem mais. Mas não por isso abandonei minhas raízes, dogmas ou essência. Isso ainda é muito forte e presente em mim e gosto disso.


Rio, 18 de Março de 2011- Elayne Aguiar

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