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No mundo

novembro 30, 2010

AO MEU PAPAI


Ontem escrevi alguns textos que me fizeram sentir mais paz, tranquilidade e serenidade. Durante o dia pensei em meu pai, pois ontem ele estaria fazendo 71 caso fosse vivo. Há seis anos ele morreu e eu sofri muito, embora tenha superado bem, mas nunca o esqueci.Vivemos muitas coisas juntos e eu sempre fui a xodozinha dele, visto que tenho três irmãos homens. Meus filhos foram um pouco dele também, pois tive-os muito cedo e ele me ajudou a cuidar, ele adorava. Pena ele não tenha conhecido minha filhinha e as outras netinhas, tenho certeza que seriam a paixão maior dele. Lembro de momentos inesqueciveis, como quando uma vez ele me viu fingindo que estava fumando com uma guimbinha de cigarro na boca. Ele me sentou em seu colo e brigou comigo, mas não me bateu. Eu chorei muito, tinha seis anos. Lembro da primeira cartinha que escrevi para ele e ele emoldurou , mas minha mãe achou muito engraçado aquilo, pois era um garrancho minha letra, mesmo assim ele sempre me incentivou a ler e a escrever. Ele era micro empresário, maçom e formado em desenho industrial. Ele era doce, responsável e honesto. O nosso sonho era eu fazer Medicina e quando eu terminei o segundo grau fiz a maior besteira da minha vida. Engravidei e tive que casar, ele ficou alguns meses sem falar comigo, mas eu não queria abrir mão do homem que "eu achava", era o da minha vida. Fiquei doze anos com ele e não me arrependo dos meus filhos, mas quando temos 17 anos pensamos que sabemos de muitas coisas e derepente tudo que meu pai sonhou para mim junto comigo desmoronou. Mas ele me perdoou, nós fomos grandes amigos até o fim dos dias dele. Lembro-me que ele me ensinava muitas coisas sobre astronomia, maçonaria e matemática.Ele me sentava na janela e ficava me apontando as constelações, Vênus, a Lua, me ensinou tudo sobre o cometa Halley, que passava de 76 em 76 anos e que éramos privilegiados porque ele passaria em 1986, mas nós não o vimos! A não ser pelo noticiário. Ensinou-me a nadar, a boiar, a falar um pouco do ingles que sei, assim como minha tia.Não deixou muitos patrimonios, mas deixou seu caráter, sua dedicação, sua honestidade. Ele sofreu muito em vida, mas Deus o recompensou com uma boa morte: faleceu dormindo. Durante sua vida ele viveu grandes decepções com sua filosofia de vida, seu casamento, seu trabalho...e a partir de então perdeu a alegria de viver , mas pelos seus filhos , netos e irmãos, família, ele resistiu por mais 13 anos após todas essas decepções. Antes dele falecer eu estava frequentando a igreja e ele apesar de nao ser cristão, gostava muito que eu lesse a bíblia para ele e adorou quando resovi fazer Teologia. Conversávamos muito sobre Deus, ele até visitou minha igreja na época. Uma semana antes dele morrer ele teve alguns sonhos premonitórios e me contou. Tenho certeza que ele está em um ótimo lugar e ainda ontem mesmo sonhei com ele, como quase todos os dias já há seis anos. Sonho com ele vivo e fazendo as mesmas coisas e conversando comigo, me aconselhando, enfim...meus irmaos não sonham com ele, mas isso me nutre e Deus me deu isso: duas ou tres vezes por semana continuo conversando e falando coisas do dia a dia com ele, pedindo conselhos e desabafando...
Eu te amarei sempre e um dia iremos nos encontrar
Ao meu pai: Mário Antonio de Aguiar

4 comentários:

  1. Isso é deveras emocionante, Elaine. Segunda feira também acordei assim, sentindo uma saudade inédita da minha mãe. Digo inédita porque foi diferente de todas as que eu já senti, de tanta falta que ela ainda me faz. Fiz até uns versinhos mas sou vou plublicar dia 24, que é quando ela completaria 79 anos se estivesse aqui. Adorei esta belíssima homenagem. Isso é uma catarse interior que a gente faz, desabafando tão serenamente. Meu abraço. Bom dia!

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  2. É, acho muito bonito uma relação de pai e filha. Hoje eu admiro a relação do meu ex marido com nossa filhinha Giovanna. Lembro muito do meu pai comigo...

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  3. "Mas, esse teu coração…
    Esse, não é de leoa não!
    Esse é de gente boa."

    Beijinho,
    :-)

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  4. Não conheço muito de ti, Elayne, mas eu acho
    que tu estás a sentir aquela paz de de quem regressa
    à serenidade do lar, onde se sente confortável
    e acolhida. Este é um lugar onde te sentirás sempre
    acolhida e confortável. Mas lembra-te, que há
    que estar de alma e coração aberto.
    Agarra-te a ti mesma, amiga.
    Beijinhos,
    :-)

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